African Leaders Malaria Alliance (ALMA)
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    • O Presidente Advogado Duma Gideon Boko apela à vontade colectiva dos seus homólogos chefes de Estado e de vários ministros sectoriais para unirem esforços no financiamento e apoio ao combate à malária em grande escala
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    • O Presidente e Advogado Duma Gideon Boko, Presidente da ALMA, discursa na Conferência de Imprensa de Alto Nível sobre o Financiamento Sustentável da Malária, durante a 39ª Cimeira da UA
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Fonte: African Leaders Malaria Alliance (ALMA) |

Os líderes africanos necessitam ter um financiamento contínuo para o combate à malária, no meio da estagnação do progresso e do agravamento da crise de financiamento

O Relatório de Progresso sobre a Malária em África de 2025 revela 270,8 milhões de casos e quase 600 mil mortes; O relatório faz um alerta para um possível ressurgimento da doença, enquanto os chefes de Estado e Governo instam à mobilização de recursos internos, apelam aos parceiros para que honrem os compromissos e exigem a renovação do Programa de Reforço contra a Malária do Banco Mundial

Não podemos permitir que estes desafios revertam décadas de progresso que evitaram 1,64 mil milhões de casos e salvaram 12,4 milhões de vidas desde 2000

ADIS ABEBA, Etiópia, 17 de fevereiro 2026/APO Group/ --

Num contexto de progresso estagnado, declínio do financiamento internacional e intensificação das ameaças, os chefes de Estado e Governo africanos fizeram hoje um apelo unificado a uma nova era de financiamento para o combate à malária na 39ª Cimeira da União Africana, na Etiópia. O Relatório de Progresso sobre a Malária  da União Africana de 2025, apresentado pelo Presidente Advogado Duma Gideon Boko da República do Botsuana e Presidente da Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) (www.ALMA2030.org), alerta que, sem acções urgentes, o continente corre o risco de perder décadas de conquistas arduamente alcançadas na luta contra a doença.

É necessária uma acção urgente à medida que a tempestade perfeita se intensifica

O relatório de 2025 revela que os Estados-membros da União Africana foram responsáveis ​​por 270,8 milhões de casos de malária (96% do total global) e 594.119 mortes (97% do total global) em 2024. O progresso estagnou desde 2015 e apenas cinco Estados-membros atingiram as metas do Quadro catalisador de 2025 para reduzir em 75% a incidência ou a mortalidade por malária. Estas metas fazem parte do Quadro catalisador para eliminar a SIDA, tuberculose e malária em África até 2030.

O relatório alerta que uma redução de 30% no financiamento resultará em menos 640 milhões de redes mosquiteiras tratadas com insecticida, 146 milhões de casos adicionais de malária, 397 mil mortes adicionais (75% entre crianças com menos de cinco anos) e uma perda de US$ 37 mil milhões no PIB até 2030. Se não forem tomadas acções urgentes, o relatório alerta que a malária poderá ressurgir de forma significativa, com casos potencialmente superiores a 400 milhões por ano e mortes a ultrapassar um milhão anualmente.

“A tempestade perfeita de crises convergentes que ameaçam a eliminação da malária intensificou-se. A Assistência Pública ao Desenvolvimento para a saúde em África diminuiu 70% em apenas quatro anos, e a Oitava Reposição do Fundo Global ficou muito aquém da sua meta de US$ 18 mil milhões. Não podemos permitir que estes desafios revertam décadas de progresso que evitaram 1,64 mil milhões de casos e salvaram 12,4 milhões de vidas desde 2000”.

~ Presidente Advogado Duma Gideon Boko, República do Botswana, Presidente da ALMA

Uma nova era de financiamento com a África na liderança

Em resposta à crise de financiamento, os líderes africanos reafirmaram o seu compromisso com a mobilização de recursos internos, o financiamento inovador e o desenvolvimento de planos nacionais de sustentabilidade do financiamento da saúde. O relatório realça que os Conselhos e Fundos para a Eliminação da Malária em 12 países já mobilizaram mais de US$ 200 milhões através de parcerias público-privadas, o que demonstra o poder da colaboração multissectorial. O estabelecimento de parcerias público-privadas é crucial para garantir um financiamento contínuo. Estas parcerias podem desbloquear novos investimentos, que por sua vez, irá impulsionar o progresso não só no sentido da eliminação da malária, mas também no sentido da cobertura universal de saúde. Uma abordagem que envolva toda a sociedade, incluindo o sector privado, fundações filantrópicas, os pessoas com elevado património líquido e a diáspora através dum acelerador público-privado da saúde, reforçará os compromissos nacionais e proporcionará uma parceria vantajosa para todos.

Os países de todo o continente estão a intensificar os seus esforços com maiores compromissos de financiamento nacional para o combate à malária em 2025. Os líderes apelaram aos parceiros globais para que honrem os seus compromissos, renovem o Programa de Reforço da Malária do Banco Mundial e alinhem o apoio às estratégias nacionais. O programa original do Banco Mundial para o combate à malária (2005-2010) garantiu mais de US$ 1 mil milhões, com resultados transformadores. Hoje, os líderes africanos estão a instar a um programa renovado para colmatar os défices de financiamento, implementar ferramentas de última geração, fortalecer os programas dos profissionais da área da saúde da comunidade e construir sistemas de saúde resilientes às alterações climáticas. Investir na malária desta forma também fortalecerá os cuidados de saúde primários, o que tornará os sistemas de saúde mais resilientes a choques e colocar-nos-á no caminho para vencer outros desafios de saúde, como as doenças tropicais negligenciadas.

"A nossa abordagem abrangeu todo o espectro do que é necessário para vencer esta doença. A Tanzânia investiu em investigação de classe mundial e alberga o Instituto de Saúde de Ifakara, onde os nossos cientistas trabalham na vanguarda das novas tecnologias, incluindo a tecnologia de direccionamento genético – uma abordagem inovadora que visa garantir que os mosquitos deixam de transmitir o parasita da malária. Esta é ciência africana, conduzida por investigadores africanos, e aborda um desafio africano”.

~  S.Ex.a Samia Suluhu Hassan, Presidente da República Unida da Tanzânia

Novas e poderosas ferramentas de última geração avançando

Apesar dos desafios, o relatório destaca o grande progresso na implementação de ferramentas inovadoras. Em 2025, 74% das redes mosquiteiras tratadas com insecticida distribuídas em África eram redes de última geração com ingrediente activo duplo, um grande aumento em comparação aos 20% registados em 2023. Estas redes são 45% mais eficazes do que as redes que contêm apenas piretróides contra mosquitos resistentes.

Vinte e quatro países já introduziram vacinas contra a malária aprovadas pela OMS para crianças com menos de cinco anos, sendo que 28,3 milhões de doses foram distribuídas em 2025, um aumento acima dos 10,5 milhões em 2024. Além disso, a OMS pré-qualificou dois produtos repelentes espaciais em 2025, marcando a primeira nova intervenção de controlo de vectores introduzida em décadas. Um número recorde de 22 países planeou implementar a quimioprevenção sazonal da malária em 2025. O conjunto de inovações no combate à malária continua mais forte do que nunca.

Promoção da “soberania sanitária” através da produção local

Os líderes enfatizaram a importância da produção local para garantir preços acessíveis, acesso facilitado e resiliência da cadeia de abastecimento. No momento, a África importa 99% das vacinas e 95% dos medicamentos. O relatório destaca que a Nigéria criou parcerias para a produção local de tratamentos antimaláricos e testes de diagnóstico rápido, e está a trabalhar para fabricar as primeiras redes mosquiteiras de última geração fabricadas em África.

A Agência Africana do Medicamento (AMA),  com 31 países ratificados e as comunidades económicas regionais está a harmonizar os quadros regulamentares para acelerar o registo de novos produtos em todo o continente.

"A total implementação de ferramentas existentes e novas, combinada com o financiamento integral, poderá salvar mais de 13,2 milhões de vidas nos próximos 15 anos e impulsionar as economias africanas em mais de US$ 140 mil milhões. Cada dólar investido no Fundo Global gera US$ 19 Temos as ferramentas. Precisamos de recursos”.

~ Dr. Michael Adekunle Charles, CEO da Parceria com o RBM para a eliminação da malária

O que deve ser feito

Os Chefes de Estado e Governo emitiram um apelo claro à acção: instar todos os Estados-membros a tratarem a malária como um pilar central da soberania sanitária e da transformação económica, a protegerem e aumentarem o financiamento interno e externo e a implementarem plenamente as prioridades do Quadro catalisador através dum Big Push  contra a malária.

Os líderes apelaram aos parceiros internacionais para que cumpram os seus compromissos, alinhem o apoio com as estratégias nacionais e invistam nas ferramentas e sistemas que garantam um futuro livre da malária. Salientaram que o caminho a seguir é desafiante. No entanto, com uma liderança determinada, utilização inteligente de dados e um investimento contínuo, a África pode inverter a tendência para a eliminação e garantir que as gerações futuras cresçam livres da ameaça da malária.

Distribuído pelo Grupo APO para African Leaders Malaria Alliance (ALMA).

NOTAS AOS EDITORES:
O Relatório de Progresso da União Africana sobre a Malária de 2025 estará disponível para download em: www.AU.int e www.ALMA2030.org

Consultas de mídia:
Aliança dos Líderes Africanos contra a Malária Thomas Davies
TDavies@alma2030.org
www.ALMA2030.org

Comissão da União Africana:
Molalet Tsedeke
MolaletT@africa-union.org
www.AU.int

African Media Agency:
Leslie-Shamilda Segui
shamilda@africanmediaagency.com
https://apo-opa.co/3MMUB0E 

Relatório de Progresso da Malária da União Africana: 
O Relatório de Progresso sobre a Malária em África é uma publicação anual elaborada pela Comissão da União Africana, pela Aliança dos Líderes Africanos contra a Malária e pela Parceria com o RBM para a eliminação da malária. Acompanha o progresso em relação às metas do Quadro catalisador da UA, destaca os desafios e as ameaças à eliminação da malária e documenta as acções dos Estados-membros para acelerar o progresso. O relatório é apresentado anualmente pelo Presidente da ALMA aos Chefes de Estado e  Governo durante a Cimeira da União Africana.

ALMA:
Fundada em 2009, a Aliança dos Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) é uma coligação inovadora dos Chefes de Estado e  Governo Africano que estão a trabalhar por todo o país e além-fronteiras regionais com o objectivo de eliminar a malária em África até 2030. www.ALMA2030.org