Fonte: UN News |

Níger enfrenta piora da desnutrição aguda infantile

Cerca de 306 mil mulheres grávidas e lactantes também deverão sofrer de desnutrição aguda, aumentando os riscos para mães e recém-nascidos

NOVA IORQUE, Estados Unidos da América, 12 de janeiro 2026/APO Group/ --

Mais de 1,6 milhão de crianças com menos de cinco anos enfrentam ou estão em risco; baixa diversidade alimentar e acesso limitado a serviços de saúde e nutrição agravam a situação; apesar do progresso, refugiados e deslocados continuam entre os mais vulneráveis.

Mais de 1,6 milhão de crianças com menos de cinco anos enfrentam ou correm o risco de sofrer de desnutrição aguda em Níger até julho.  Deste número, mais de 410 mil devem enfrentar desnutrição aguda severa em intervalo de um ano.

Embora a situação nutricional do país apresente alguns sinais de melhora, em comparação com o ano anterior, o nível de gravidade permanece alarmante em várias regiões. 

Regiões críticas e evolução projetada da crise

A análise realça que além do número elevado de crianças, cerca de 306 mil mulheres grávidas e lactantes também deverão sofrer de desnutrição aguda, aumentando os riscos para mães e recém-nascidos.

Durante o pico da desnutrição, entre agosto e novembro de 2025, toda a região de Diffa, os departamentos de Bermo e Tessoua em Maradi e áreas de refugiados em Agadez, Diffa e Maradi foram classificados como situações de emergência. Trata-se da Fase 4 da Classificação Integrada da Segurança Alimentar e Nutricional, IPC.

A situação tende a melhorar, parcialmente, entre dezembro de 2025 e abril de 2026. Nesse período espera-se a redução de casos de diarreia e malária e que haja maior disponibilidade de alimentos. 

Espera-se que algumas áreas passem da Fase 3, crise, para a Fase 2 de alerta, e outras devem regredir da Fase 4 para a Fase 3.

Fatores que impulsionam a desnutrição

Com o início da estação chuvosa e do período de escassez alimentar, entre maio e julho de 2026, as condições devem deteriorar-se novamente. As projeções indicam 33 áreas na Fase 3 e 10 áreas na Fase 4, estando a região de Diffa, o departamento de Say e duas áreas de refugiados em risco de agravamento.

A crise nutricional no Níger é resultado de uma combinação de fatores estruturais e humanitários. Entre os principais estão o baixo consumo alimentar e a falta de diversidade na dieta das crianças, o que compromete o crescimento e o desenvolvimento infantil.

Doenças como malária, infeções respiratórias, febre e diarreia continuam amplamente disseminadas, agravadas por condições precárias de água, saneamento e higiene. O acesso limitado à água potável e a elevada taxa de defecação a céu aberto aumentam o risco de infeções.

Práticas alimentares inadequadas e a insegurança

Práticas inadequadas de alimentação infantil, incluindo uma baixa taxa de amamentação e interrupção precoce até os dois anos de idade, também contribuem para os altos níveis de desnutrição. 

A situação é agravada pela cobertura insuficiente de programas de tratamento da desnutrição aguda e pela fragilidade do sistema de saúde.

Além disso, inundações causadas por chuvas intensas e pelo transbordamento do rio Komadougou e dos seus afluentes também agravam o contexto humanitário, assim como a insegurança vivida, que continua a provocar deslocamentos populacionais.

Distribuído pelo Grupo APO para UN News.